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Recentemente assisti três filmes com o homem de um papel só Harvel Keitel. E isso não é necessariamente ruim, é quase o mesmo papel em vários filmes mas nunca um personagem ruim. Fazendo sempre o mesmo tipo na tela Keitel é o cara que queremos como amigo nas horas mais complicadas, se é que você me entende.

O primeiro foi Mean Streets (1973), um dos primeiros filmes de Martin Scorcese e provavelmente o que mais definiu seu estilo para produções futuras, pelo menos as focadas em máfia ou criminosos. Em Little Italy, Harvey (ainda sem a característica barriga de tiozão) é Charlie Cappa, cobrador e faz-tudo para o tio, responsável pelo enquencreiro clássico Johnny Boy (Robert De Niro).

Confortável na posiçãoo que está enfrenta dilemas de família com seu relacionamento pouco bem-visto pelo seu tio enquanto aguenta as dores de cabeç que Johnny Boy lhe arruma. Filme estiloso e calmo, dosado com cenas de violência com o selo Scorcese. New York suja e barulhenta, lugar perfeito para Keitel.

 

 

 

Segui com Smoke (1995), com roteiro de Paul Auster e direção de Wayne Wang. A coisa mais bacana aqui é o roteiro de Auster, escrito com carinho em relação ao Brooklyn, bairro onde toda a ação do filme acontece. Ele constrói uma ótima história apenas com ações cotidianas dessas pessoas que vivem ali no planeta Brooklyn, utilizando o alter-ego Wiiliam Hurt como Paul Benjamin, um escritor amante do bairro. Harvey Keitel é o gerente de uma tabacaria de esquina, lugar de encontro de amadores de baseball e fumantes com tempo de sobra. Os melhores momentos do filme mais uma vez são de Keitel, sempre com aquela cara de durão e um sorriso para os amigos. Nas palavras de seu personagem Auggie Wren “If you can’t share your secrets with your friends then what kind of friend are you?”.

 

 

No mesmo dvd de Smoke veio Blue in the Face (1995), dessa vez Auster assume a direção junto com Wang e faz um filme de situações centrado no Brooklyn apenas dando o plot para os atores e deixando com que eles façam a cena acontecer. Na mesma esquina, Harvey Keitel repete seu personagem dessa vez carregando o filme sozinho, se bem que não é um filme propriamente dito: tem cenas documentais com moradores do bairro, relatos de acontecimentos como a ida do Dodgers para Los Angeles, coisa que deixou uma marca nos amantes de baseball do bairro.

Com participações de Jim Jarmuch, Michael J. Foz, Madonna e Lou Reed é um conjunto de crônicas sobre o Brooklyn com um olhar de quem cresceu no lugar e tem orgulho disso, neste caso Paul Auster.

Três filmes que preencheram uma lacuna para mim em relação à obra inicial de Scorcese, os roteiros para o cinema de Auster e claro nos personagens de Keitel. Esse final de semana termino de baixar Bad Liutenant (que dizem ser o mais hardcore dos filmes dele) e fecho meu ciclo Harvey Keitel.

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