Três Vezes Harvey Keitel
14.10.2006 | Filmes
Recentemente assisti três filmes com o homem de um papel só Harvel Keitel. E isso não é necessariamente ruim, é quase o mesmo papel em vários filmes mas nunca um personagem ruim. Fazendo sempre o mesmo tipo na tela Keitel é o cara que queremos como amigo nas horas mais complicadas, se é que você me entende.
O primeiro foi Mean Streets (1973), um dos primeiros filmes de Martin Scorcese e provavelmente o que mais definiu seu estilo para produções futuras, pelo menos as focadas em máfia ou criminosos. Em Little Italy, Harvey (ainda sem a caracterÃstica barriga de tiozão) é Charlie Cappa, cobrador e faz-tudo para o tio, responsável pelo enquencreiro clássico Johnny Boy (Robert De Niro).
Confortável na posiçãoo que está enfrenta dilemas de famÃlia com seu relacionamento pouco bem-visto pelo seu tio enquanto aguenta as dores de cabeç que Johnny Boy lhe arruma. Filme estiloso e calmo, dosado com cenas de violência com o selo Scorcese. New York suja e barulhenta, lugar perfeito para Keitel.
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Segui com Smoke (1995), com roteiro de Paul Auster e direção de Wayne Wang. A coisa mais bacana aqui é o roteiro de Auster, escrito com carinho em relação ao Brooklyn, bairro onde toda a ação do filme acontece. Ele constrói uma ótima história apenas com ações cotidianas dessas pessoas que vivem ali no planeta Brooklyn, utilizando o alter-ego Wiiliam Hurt como Paul Benjamin, um escritor amante do bairro. Harvey Keitel é o gerente de uma tabacaria de esquina, lugar de encontro de amadores de baseball e fumantes com tempo de sobra. Os melhores momentos do filme mais uma vez são de Keitel, sempre com aquela cara de durão e um sorriso para os amigos. Nas palavras de seu personagem Auggie Wren “If you can’t share your secrets with your friends then what kind of friend are you?”.
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No mesmo dvd de Smoke veio Blue in the Face (1995), dessa vez Auster assume a direção junto com Wang e faz um filme de situações centrado no Brooklyn apenas dando o plot para os atores e deixando com que eles façam a cena acontecer. Na mesma esquina, Harvey Keitel repete seu personagem dessa vez carregando o filme sozinho, se bem que não é um filme propriamente dito: tem cenas documentais com moradores do bairro, relatos de acontecimentos como a ida do Dodgers para Los Angeles, coisa que deixou uma marca nos amantes de baseball do bairro.
Com participações de Jim Jarmuch, Michael J. Foz, Madonna e Lou Reed é um conjunto de crônicas sobre o Brooklyn com um olhar de quem cresceu no lugar e tem orgulho disso, neste caso Paul Auster.
Três filmes que preencheram uma lacuna para mim em relação à obra inicial de Scorcese, os roteiros para o cinema de Auster e claro nos personagens de Keitel. Esse final de semana termino de baixar Bad Liutenant (que dizem ser o mais hardcore dos filmes dele) e fecho meu ciclo Harvey Keitel.
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