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O processo complicado de separação de um casal com dois filhos, um entrando na adolescência e outro bem no meio dela. As situações que acontecem durante o processo e como manter-se intacto durante o mesmo. Não há como, todos sabem. Aí queThe Squid and the Whale torna-se um grande filme sincero: não há como se sentir bem diante disso, não há como diminuir a sensação de desconforto. A alternativa é a farsa, seja intelectual ou emocional.

Em certo ponto do filme comentei que parecia Walt Berkman (Jesse Eisenberg), o filho adolescente. A noiva perguntou em que sentido, respondi “essa arrogância, o jeito adulto”. Na verdade não queria admitir que a farsa do personagem era tão igual a que já vivi. Utilizando citações prontas do pai escritor Walt cerca-se de conceitos arrogantes pouco sinceros. Chega a apropriar-se de canções alheias e tomar o mérito, utiliza palavras como kafkaniano para rebater um argumento e demonstrar superioridade. É a farsa adolescente acontecendo, para ganhar talvez um status, imitar os figurões ou quem sabe ter um pouco de fama. Intelectualizar-se de maneira fácil e rápida.

O pai de Walt, Bernard Berkman (Jeff Daniels) é um escritor com alguns livros publicados e quase nenhuma expressão comercial, diferente de sua futura ex-esposa que está em ascensão em grande parte por influência do marido. É arrogante e pouco sociável, prefere os filhos e faz o possível para não deixar que se tornem filisteus. É daí que Walt adquire sua farsa. Em diálogos leves o filme vai construindo os personagens e faz com que eles enfrentem situações fácies de lidar e outras nem tanto. Cada um escolhe como encará-las.

Utilizando poucas artimanhas do cinema cult (e esse é o tipo de filme que possui um roteiro feito pra ser filmado com essas artimanhas), o diretor Noah Baumbach mostra que uma coisa tão estranha e comum na sociedade como o divórcio não consegue ser minimamente prejudicial aos envolvidos. Aqueles que conseguem sair ilesos escolheram uma farsa confortável e que na maioria do tempo funciona.

De uma beleza bem escrita e dirigida é o tipo de filme que não aponta soluções, são cenas do meio da história acontecendo, o choque de coisas do passado com o caos do presente e sabe-se lá o que virá. Um retrato belo e ainda pouco desbotado. Uma farsa.

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