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Acabei de ler o número 18 de Preacher, onde termina o arco (sempre achei estranha essa palavra pra falar de quadrinhos) Hunters, pelo menos termina a primeira fase, parece que essa história ainda vai render coisa.

Além de Hunters, nos volumes inicias temos o começo da mitologia do título e em seguida o excelente arco Naked City que além de ser muito bem guiado sedimenta as personalidades dos personagens e mostra o que se pode esperar de um título como Preacher: cultura pop, algumas perversões, diálogos longos e bem escritos, cenas de porrada no maior estilo western e claro o humor negro do roteirista Garth Ennis ganhando forma nos contornos rudes e detalhistas de Steve Dillon. Ainda tem um quê slasher que visualmente deixa muitas cenas como se fossem recém-saídas de um filme do Cronenberg das antigas.

Se muito do impacto que a revista causou na época de seu lançamento com suas subversões, sexo, drogas e críticas à igreja (e ao resto do mundo) se perdeu hoje em dia com a Internet espalhando bizarrices pra todo lado e noticiários não dispensando uma boa dose de sadismo na Tv fica até mais fácil ver a razão que faz de Preacher um título essencial na estante do nerd.

O plot ainda tem um ar bizarro intacto: o pastor Jesse Custer começa uma cruzada para encontrar deus (que deixou o paraíso um belo dia e foi dar uma volta) e pedir algumas explicações sobre essa história de largar a sua criação. Além de carregar consigo o poder da criatura Gênesis (que escolheu Jesse como abrigo) que de certa forma é igual ou maior quanto o do próprio deus, Jesse tem que fugir de velhos conhecidos e acertar as contas com um punhado de gente para poder continuar sua busca. Ficou meio confuso? Eu que estou me complicando muito mesmo, mas acredite, tudo isso se encaixa nos números iniciais como uma puta história que se não te faz virar fã, bom, é melhor deixar de lado que o negócio só fica mais enrolado a partir daí.

Garth Ennis joga muito humor quase-doente em diálogos ora meio filosóficos (ei, filosofia pode ser trash também) ora com sacadas de filmes policiais dignos de Charles Bronson. No personagem Cassidy é que a coisa fica realmente divertida: um vampiro sequelado que não dispensa uma briga e tem milhares de histórias pra contar (uma delas é que Borroughs apresentou-lhe as drogas) desde que não perturbem sua paciência. É de longe o mais sacana vampiro já criado.

Os rumores de que a HBO iria produzir uma série baseada na hq já rolam há algum tempo e mesmo que demore mais alguns anos até a coisa acontecer de fato já fica garantida a fidelidade ao original por se tratar da HBO, uma das poucas emissoras que ainda tem colhões para produzir uma série inconsequente como Preacher.

Até lá termino de ler as revistas e talvez ainda venha dar um pitaco sobre qual arco ficaria melhor na tela. Se acabar não indo pra tela de qualquer forma, continua sendo um puta título que garante horas de entretenimento com aquele subtítulo adulto merecido e na melhor interpretação da palavra.

  1. renmero » My Sweet Lord em 21.01.2007
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    [...] Tinha falado sobre Preacher há pouco tempo atrás neste post aqui e hoje soube que os antigos rumores de que a HBO iria produzir foram finalmente confirmados. Apesar de nomes pouco agradáveis relacionados ao projeto, como Mark Steven Johnson (Daredevil) e James Marsdem (o Ciclope do X-men) ainda pode sair coisa delícia daí, afinal de contas é a HBO! É como naquele espisódio do Studio 60: todo mundo quer ir pra HBO. [...]

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