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Terminei de assistir a primeira temporada de House MD, espetacular série médica protagonizada com maestria por Hugh Laurie. Sei que as palavras série médica costumam assustar grande parte das pessoas, incluindo eu, e desde os primeiros dez minutos do piloto de de House o estereótipo desaparece, acredite. Tudo culpa de Laurie. O piloto é excepcional: o ator parece estar encontrando o equilíbrio entre sarcasmo, cinismo, seriedade e arrogância (que podem parecer semelhantes porém nas mãos certas tornam-se distintos) e por isso diverte mais do que o esperado do texto.

Saber aproveitar o texto é uma das coisas mais legais da série. Além do protagonista irretocável, que só encontra um paralelo relativamente próximo em Tony Soprano (sem exagerar, Soprano é o melhor personagem de série televisiva já criado) o time central da série possui destaque e desenvolvimento tão bom quanto o própio House. Dificilmente os personagens secundários convencem sozinhos e isso faz as cenas de diálogos tornarem-se memoráveis em vários momentos.

Em alguns episódios (como os dois últimos da temporada) temos depositado em House todas as soluções da temporada e Laurie encontra o tom perfeito para o texto comum de final de série.

E o roteiro é excelente, original nos diálogos e no sarcamo corrosivo e inconsequente de House. Possui algumas falhas na metade da temporada mas não prejudica o rendimento em nada, pois erros ou coisas que não funcionaram saem rapidamente, ao contrário de outras séries que insistem no erro (coisa comum). Como sou viciado em roteiros assistir House é uma experiência de entrenimento de alto nível e também de certa forma uma aula de como contornar dificuldades dos personagens em poucas cenas sem apelar para lugares-comum. E isso também é um dos pontos fortes do seriado, saber contornar as suas próprias deficiências com rapidez. Mesmo sendo limitada, não aparenta ser inesgotável.

Em dez possíveis dedões levantados garanto oito. Depois de Sopranos, foi a segunda série que plantou na minha cabeça a vontade de comprar imediatamente os DVDs. A terceira temporada começou recentemente na Gringolândia. Em breve termino de assistir a segunda, é o tipo de série que você fica com necessidade de assitir.

Notinha Nerd: Na abertura da série (que é excelente graficamente, lembrando as excepcionais aberturas da HBO) toca o início instrumental de Teardrop, do Massive Attack presente no disco Mezzanine de 1998. A canção foi utilizada também numa montagem de um episódio da primeira temporada de Prison Break.

Notinha Técnica: A versão nacional do box da primeira temporada além de possuir apenas som estéreo (algumas distribuidoras ignoram o 5.1 sem dó) e fullscreen as legendas em português são deficientes além da média. Pouquissímas expressões idiomáticas são traduzidas com sentido, o resto ganha uma versão de dicionário online. E o comum erro de “arredondar” as frases de efeito para ter menos texto na tela acontece de forma obscena. Se você depende das legendas é uma pena esta caixa ser tão ruim, muita coisa se perde.

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