bunker

Foi um daqueles casos de oportunidade, estava no soulseek checando os arquivos de um usuário que baixava Ryan Adams de mim e encontrei três discos de sua antiga banda Whiskeytown. Perguntei qual ele recomendava, e Pneumonia foi a indicação.

E pensar que perdi tempo escutando a extensa discografia solo do garoto, que assim como tem maravilhas como Heartbreaker e 29 também tem chatices como Gold e Cold Roses, exageros demais e poucas canções realmente inspiradas. Estava deixando passar a delécia contida nos discos do Whiskeytown, onde o garoto tinha de brigar com mais gente antes de cantar feito um bêbado só pra se mostrar.

E justamente a sua voz ainda domada, cadenciada e com um timbre suave é a primeira coisa que salta aos ouvidos. As letras ainda são simples, com refrãos pegajosos e versos confessionais sem a afetação mostrada mais tarde. E que belos refrãos! Repeti a faixa inicial toda vez tinha oportunidade.

O disco começa com a destruidora sequência “The Ballad of Carol Lynn” (com sua gaita emocionada), “Don’t Wanna Know Why” (os versos mais bonitos já entoados por Ryan) e “Jacksonville Skyline” (homenageando sua cidade natal). Três canções com levada pop bela, refrãos deliciosamente pegajosos e melodia pra assoviar, cantarolar e sei lá mais o que. É apenas pop com uma levada country emocionada, aquilo que chamam de Alt Country.

E o disco segue com mais canções de tirar o fôlego como “Mirror, Mirror” e “My Hometown”. Dessa vez agradeço à Adams por exagerar nas composições e andamentos, amparado pelo vocal doce de Caitilin Cary e um ocasional coro que conta com convidados como James Iha fica a sensação de que se o bardo trabalhasse mais com bandas e realmente aceitasse suas sugestões, não teria disco ruim em sua discografia. Perder a inocência fundamental foi seu grande erro, bom pra quem gosta de sua carreira solo, ruim pra quem assim como eu costuma buscar o pop perfeito.

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