bunker

31 Canções

25.09.2006 | 42

Acabei de ler 31 Canções de Nick Hornby, presente da Noiva. Mesmo sendo fã dos filmes adaptados de seus romances, nunca de fato havia lido um. Talvez por não achar facilmente em livrarias (sempre me recusei a ler Como Ser Legal [o mais fácil de achar] sem ter lido Alta Fidelidade antes, eu sei que é besteira, mas deixe-me com meus TOC) ou mesmo por ter uma fila imensa de coisas para ler antes dele.

Alguns meses atrás mandei essa fila pro inferno. Comecei a ler ao mesmo tempo tudo que desse vontade , ignorando o grau de importância que dei para o livro ao colocá-lo na fila. Com isso o número de livros não terminados terminou, quem sabe eles não fossem tão bons assim.

Semana passada o presente foi bem vindo. Já sabia do que se tratava o livro e estava sedento por indicações de coisas novas-velhas para escutar. 31 Canções é simples e leve, logo no começo o autor explica que não são suas canções favoritas ou muito menos as mais importantes para ele, claro que algumas de fato são, porém não é uma lista fechada. É a vontade de escrever sobre canções até chegar num número legal, nesse caso 31. Eu iria até 42, sabe como é nerd.

Uma coisa me deixou muito à vontade é que o autor é como eu. Sim, um cara que carrega música na vida e poucas vezes recusa escutar um disco, dá pra enumerar os preconceitos. Não seja sarcástico e comece a pensar “esse moleque está querendo se comparar a um inglês escritor famoso”, isso seria muito feio e eu recomendaria que você fechasse com força o navegador, ainda bem que você não pensou nisso.

Ler sobre canções pode ser tão bom quanto ouvi-las, em vários momentos Nick usa a música como ponto de partida para elucidar questões sobre a vida de que convive com a mesma. O texto sobre “É permitido sair!” é hilário e curioso. Quando você ler saberá o que estou dizendo. A emoção carregada em vários momentos é o diferencial da escrita de Hornby, talvez se ele não fosse tão pessoal seus textos não passariam de um ensaio de crítico metido a besta. No momento que ele começa a explicar a relação do seu filho autista com música, percebe-se o quanto é importante para aquele homem ter música em sua vida. Ele descobriu que é justo essa paixão o canal mais forte de comunicação do seu filho com o mundo. Deixando poucas vezes o lado histórico dos discos falar mais forte, há uma transparência agradável. Eu acredito no que ele está escrevendo, me agrada e em nenhum momento sinto desconforto. É como escutar de um amigo uma indicação bacana sobre aquele disco do Dylan ou porque evitar os lançamentos de determinado selo.

Durante a leitura fiz o hábito de estabelecer relações entre as observações do autor e minha experiência pessoal, coisa divertida de se fazer e que além de revelar similaridades me deu uma lista imensa de coisas novas pra escutar. Foi tão bom que essa semana relerei vários textos para sentir outra vez tudo isso.

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