bunker

No post anterior citei a trilha do Friday Night Lights e como é deliciosa, claro que carrega o selo Explosions in The Sky de qualidade, mas tem coisas que pra quem acompanha a discografia da banda saltam muito bem aos ouvidos.

Acho que eles pensaram em “trilha sonora” quase num sentido literal. Na faixa “An Ugly Fact Of Life” temos apenas uma guitarra tocada devagar e com um peso emocional incomparável. Mesmo aquela letra maravilhosa do Dylan que você vive a mostrar pra amigos não consegue chegar perto. Pelo menos pra mim.

A calmaria é o tom do disco inteiro, trabalhando a leveza das guitarras com distorção calibrada perfeitamente o EITS encontra o peso necessário para completar as cenas do filme, seja a fúria do começo de uma partida, a tensão inexplicável antes do jogo começar no vestiário ou aquele segundo em que o placar marca o ponto pro adversário e o estádio inteiro parece calar. Acho que preencher é a palavra adequada, se achar outra melhor eu coloco aqui. Aproveitando a oportunidade para experimentar é um disco que te deixa muito bem numa manhã, enche de frio a sala e além de tudo abre um horizonte imenso à tua frente. Um campo de futebol com muitas luzes.

Comente

Não era minha intenção continuar falando sobre o mesmo tema, mas ultimamente estou me sentido mais à vontade pra falar sobre a mesma coisa várias vezes, analisar pontos de vistas diferentes, re-analisar antigas opniões. Num blog isso logo pode soar meio temático, quem me lê há um tempo já notou as bandas que sempre aparecem outra vez, os filmes que cito e os autores que sempre utilizo, mas “temático” é impressão dos visitantes novos. Pelo menos acredito nisso.

Como o Nix muito bem disse neste post (que muito bem poderia ter sido escrito por mim sobre minha atual situação de visitas e sobre o blog em geral) eu escrevo sobre temas diferentes interligados de forma pouco convecional ou não. Nos últimos meses se tenho focado em assuntos parecidso e recomendado as mesmas coisas, bem, é o que quero fazer. Uma reclamação que chegou por email é de que sempre escrevo com o sensor de “clichê” ligado e nunca dou muita bola pra ele.

Claro que sou clichê, se não te agrada é muito fácil ir a outro lugar, pois um blog é justamente isso: uma pessoa que procura escrever sobre o que gosta sem se preocupar muito com o retorno, e escreve da forma que lhe convir. É uma atividade um pouco egoísta na essência mas que para os leitores e blogueiros mostra-se coisa bem diferente, é fonte de coisas novas, pessoas diferentes e opiniões legais, recomendações que você não teria em outros lugares. Como naquele filme: “são apenas pessoas, cara.”

Aproveito já que citei o Nix para dizer que o rapaz fez um post sobre mim algum tempo atrás dizendo como somos parecidos na blogagem, para quem lê os dois blogs de cara logo percebe tal coisa, mas o Nix tem uma andança bem maior que a minha e o admiro por isso. Aproveitei a deixa dele e já somos companheiros virtuais, com ele me dando excelentes indicações sobre Blues. Acabou virando meu professor, de certa forma. Valeu Nix.

Na realidade todos os Nightrippers são pessoas bacanas e que merecem menção aqui, se você viu os comentários recentes aqui, tem o Bresslau dizendo o que escutar pra levar a minha vontade de comprar uma gaita adiante, a HelenaN comentando sobre os slackers que ela conheceu e o prórpio Nix compartilhando a nerdice dele com aquele comentário sobre o TinyUrl.

Essas pequenas vilas na internet é que deixam a navegação diária deliciosa. Pessoas que são diferentes de você, que te passam coisas diferentes e em troca você apenas tem que fazer o mesmo. Pra mim tudo bem.

Comente

Tem aquele momento que as coisas parecem depender de você, aquilo que você faz é tão importante pra todo mundo que a tensão fica zunindo no teu ouvido por dias a fio. Fica até mais complicado descansar tendo tanta coisa pra carregar. Mesmo sendo um garoto ainda na escola dá pra sentir a multidão depositando esperanças em você.

Tem aquele momento que as coisas parecem depender de você, aquilo que você faz é tão importante pra todo mundo que a tensão fica zunindo no teu ouvido por dias a fio. Fica até mais complicado descansar tendo tanta coisa pra carregar. Mesmo sendo um garoto ainda na escola dá pra sentir a multidão depositando esperanças em você.Friday Night Lights é a série baseada no filme e livro de mesmo nome que foi lançando alguns anos atrás e que tem a deliciosa trilha sonora dos prediletos da casa Explosions in The Sky. Conta de forma simples o dia a dia de uma cidade do interior do texas que vive para o futebol americano, como paixão, entretenimento e orgulho. E nos ombros dos garotos do time da cidade toda uma geração de ex-jogadores e familiares carregando seus anéis simbolizado o almejado campeonato estadual, sonhos que duram um par de anos e não por isso são pequenos: a indústria do futebol americano é tão vasta que quase o mesmo aparato da NFL é utilizado nos estaduais, logo a importância é bem parecida.

O filme tem um final triste e simples, pontuado por duas linhas de diálogo ditas por dois garotos que sabem que a melhor coisa da vida deles acabou e que fizeram o melhor possível enquanto durou. É aquela coisa de viver um momento de cada vez, guardando o anterior sempre junto, pra não esquecer a sensação.

E quando os dois olham pra cima, os postes iluminam solitários o campo. De certa forma aquilo tudo já foi desses garotos.

Veja o filme, leia o livro, escute a trilha e acompanhe a série. Caso raro em que uma história contada tantas vezes de formas variadas encontra o tom certo na mão de pessoas diferentes pra te deixar feliz e emocionar nos detalhes. Soando comum, é assim mesmo, nem tem como fugir, sou do tipo que costuma encontrar beleza em coisas assim. Acontece.

Comente

Acabei de ler o número 18 de Preacher, onde termina o arco (sempre achei estranha essa palavra pra falar de quadrinhos) Hunters, pelo menos termina a primeira fase, parece que essa história ainda vai render coisa.

Além de Hunters, nos volumes inicias temos o começo da mitologia do título e em seguida o excelente arco Naked City que além de ser muito bem guiado sedimenta as personalidades dos personagens e mostra o que se pode esperar de um título como Preacher: cultura pop, algumas perversões, diálogos longos e bem escritos, cenas de porrada no maior estilo western e claro o humor negro do roteirista Garth Ennis ganhando forma nos contornos rudes e detalhistas de Steve Dillon. Ainda tem um quê slasher que visualmente deixa muitas cenas como se fossem recém-saídas de um filme do Cronenberg das antigas.

Se muito do impacto que a revista causou na época de seu lançamento com suas subversões, sexo, drogas e críticas à igreja (e ao resto do mundo) se perdeu hoje em dia com a Internet espalhando bizarrices pra todo lado e noticiários não dispensando uma boa dose de sadismo na Tv fica até mais fácil ver a razão que faz de Preacher um título essencial na estante do nerd.

O plot ainda tem um ar bizarro intacto: o pastor Jesse Custer começa uma cruzada para encontrar deus (que deixou o paraíso um belo dia e foi dar uma volta) e pedir algumas explicações sobre essa história de largar a sua criação. Além de carregar consigo o poder da criatura Gênesis (que escolheu Jesse como abrigo) que de certa forma é igual ou maior quanto o do próprio deus, Jesse tem que fugir de velhos conhecidos e acertar as contas com um punhado de gente para poder continuar sua busca. Ficou meio confuso? Eu que estou me complicando muito mesmo, mas acredite, tudo isso se encaixa nos números iniciais como uma puta história que se não te faz virar fã, bom, é melhor deixar de lado que o negócio só fica mais enrolado a partir daí.

Garth Ennis joga muito humor quase-doente em diálogos ora meio filosóficos (ei, filosofia pode ser trash também) ora com sacadas de filmes policiais dignos de Charles Bronson. No personagem Cassidy é que a coisa fica realmente divertida: um vampiro sequelado que não dispensa uma briga e tem milhares de histórias pra contar (uma delas é que Borroughs apresentou-lhe as drogas) desde que não perturbem sua paciência. É de longe o mais sacana vampiro já criado.

Os rumores de que a HBO iria produzir uma série baseada na hq já rolam há algum tempo e mesmo que demore mais alguns anos até a coisa acontecer de fato já fica garantida a fidelidade ao original por se tratar da HBO, uma das poucas emissoras que ainda tem colhões para produzir uma série inconsequente como Preacher.

Até lá termino de ler as revistas e talvez ainda venha dar um pitaco sobre qual arco ficaria melhor na tela. Se acabar não indo pra tela de qualquer forma, continua sendo um puta título que garante horas de entretenimento com aquele subtítulo adulto merecido e na melhor interpretação da palavra.

1 Comentário

Para mim, a melhor atividade do mundo é ir ao cinema. Para ser honesto, o melhor de tudo é estar chegando ao cinema. Adoro estar chegando ao cinema. A gente ali no carro, estacionando… talvez a gente arranje uns bons lugares, talvez não… talvez seja um bom filme, talvez tudo seja bom. Você não sabe, e enquanto você não chegar, tudo é possível. É uma delícia: estou fazendo alguma coisa, mas ainda não fiz. É uma glória. Arranjei um emprego, mas ainda não comecei a trabalhar. Não tem nada melhor. Esses espaços dentro da vida são a coisa de que eu mais gosto.

Tem gente que fica ansiosa nesses espaços, eu sou como o Jerry Seinfeld escreveu aí em cima, aproveito os minutos para ficar divagando e as oportunidades por vir acabam parecendo sempre atraentes, podem acabar mal é claro, mas naquele momento entre as coisas eu tive ótimas fantasias e o que acontecer depois foi compensado por aquilo. Sabe aquela cena do American Beauty?

It was one of those days when it’s a minute away from snowing and there’s this electricity in the air, you can almost hear it.

Quando você começa a entrar na rotina do jeito que estou agora, esses espaços tornam-se de certa forma mágicos. Vai ver é assim que muita gente aguenta a vida inteira naqueles empregos ruins. Vivendo nesses espaços. Seria triste se não fosse tão bom.

Comente

 

 

Seatbelts - Spokey Dokey

Cowboy Bebop foi o primeiro anime que assisti no começo do ano, quando estava começando minhas andanças pelos mundo da animação amarela. Foi também o que mais me agradou tornando-se o melhor anime que já assisti, sem reservas. São vinte e seis episódios e um filme deliciosos de se assistir, com muito jazz bebop (eis o nome) da maravilhosa trilha sonora, cenas de ação muito bem desenhadas, fotografia estilosa e um roteiro ora melancólico, ora sádico e bem amarrado.

A música acima é uma gaiteira densa de quatro minutos que está no primeiro disco da trilha (são vários discos, tenho três) tocado pelos Seatbelts e Yoko Kanno que aparece como vinheta em vários episódios para pontuar cenas e mais cenas de forma delícia, é, os nipônicos sacam do blues também. Pra te deixar com vontade de tocar gaita ou assoviar o dia inteiro. Escute ou baixe no link acima.

Comente

« Página Anterior