bunker

Em 1994 o filme Backbeat rendeu uma trilha sonora deveras foda. Na banda que tocou as versões das canções explosivas do começo dos Beatles tinha nada mais do que Greg Dulli nos vocais, Thurston Moore numa das guitarras, Mike Millis no baixo e o então garoto prodígio Dave Grohl (que estava prestes a aposentar as baquetas) na bateria mostrando serviço. Super grupo é pouco.

Nessa apresentação o som tá ruinzinho mas vale por ser um dos poucos registros ao vivo do grupo e por ser uma das faixas que o Greg Dulli canta, em outras o afetado Dave Pirner estraga um pouco as coisas. Então, isso que é segunda.

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Recentemente assisti três filmes com o homem de um papel só Harvel Keitel. E isso não é necessariamente ruim, é quase o mesmo papel em vários filmes mas nunca um personagem ruim. Fazendo sempre o mesmo tipo na tela Keitel é o cara que queremos como amigo nas horas mais complicadas, se é que você me entende.

O primeiro foi Mean Streets (1973), um dos primeiros filmes de Martin Scorcese e provavelmente o que mais definiu seu estilo para produções futuras, pelo menos as focadas em máfia ou criminosos. Em Little Italy, Harvey (ainda sem a característica barriga de tiozão) é Charlie Cappa, cobrador e faz-tudo para o tio, responsável pelo enquencreiro clássico Johnny Boy (Robert De Niro).

Confortável na posiçãoo que está enfrenta dilemas de família com seu relacionamento pouco bem-visto pelo seu tio enquanto aguenta as dores de cabeç que Johnny Boy lhe arruma. Filme estiloso e calmo, dosado com cenas de violência com o selo Scorcese. New York suja e barulhenta, lugar perfeito para Keitel.

 

 

 

Segui com Smoke (1995), com roteiro de Paul Auster e direção de Wayne Wang. A coisa mais bacana aqui é o roteiro de Auster, escrito com carinho em relação ao Brooklyn, bairro onde toda a ação do filme acontece. Ele constrói uma ótima história apenas com ações cotidianas dessas pessoas que vivem ali no planeta Brooklyn, utilizando o alter-ego Wiiliam Hurt como Paul Benjamin, um escritor amante do bairro. Harvey Keitel é o gerente de uma tabacaria de esquina, lugar de encontro de amadores de baseball e fumantes com tempo de sobra. Os melhores momentos do filme mais uma vez são de Keitel, sempre com aquela cara de durão e um sorriso para os amigos. Nas palavras de seu personagem Auggie Wren “If you can’t share your secrets with your friends then what kind of friend are you?”.

 

 

No mesmo dvd de Smoke veio Blue in the Face (1995), dessa vez Auster assume a direção junto com Wang e faz um filme de situações centrado no Brooklyn apenas dando o plot para os atores e deixando com que eles façam a cena acontecer. Na mesma esquina, Harvey Keitel repete seu personagem dessa vez carregando o filme sozinho, se bem que não é um filme propriamente dito: tem cenas documentais com moradores do bairro, relatos de acontecimentos como a ida do Dodgers para Los Angeles, coisa que deixou uma marca nos amantes de baseball do bairro.

Com participações de Jim Jarmuch, Michael J. Foz, Madonna e Lou Reed é um conjunto de crônicas sobre o Brooklyn com um olhar de quem cresceu no lugar e tem orgulho disso, neste caso Paul Auster.

Três filmes que preencheram uma lacuna para mim em relação à obra inicial de Scorcese, os roteiros para o cinema de Auster e claro nos personagens de Keitel. Esse final de semana termino de baixar Bad Liutenant (que dizem ser o mais hardcore dos filmes dele) e fecho meu ciclo Harvey Keitel.

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O processo complicado de separação de um casal com dois filhos, um entrando na adolescência e outro bem no meio dela. As situações que acontecem durante o processo e como manter-se intacto durante o mesmo. Não há como, todos sabem. Aí queThe Squid and the Whale torna-se um grande filme sincero: não há como se sentir bem diante disso, não há como diminuir a sensação de desconforto. A alternativa é a farsa, seja intelectual ou emocional.

Em certo ponto do filme comentei que parecia Walt Berkman (Jesse Eisenberg), o filho adolescente. A noiva perguntou em que sentido, respondi “essa arrogância, o jeito adulto”. Na verdade não queria admitir que a farsa do personagem era tão igual a que já vivi. Utilizando citações prontas do pai escritor Walt cerca-se de conceitos arrogantes pouco sinceros. Chega a apropriar-se de canções alheias e tomar o mérito, utiliza palavras como kafkaniano para rebater um argumento e demonstrar superioridade. É a farsa adolescente acontecendo, para ganhar talvez um status, imitar os figurões ou quem sabe ter um pouco de fama. Intelectualizar-se de maneira fácil e rápida.

O pai de Walt, Bernard Berkman (Jeff Daniels) é um escritor com alguns livros publicados e quase nenhuma expressão comercial, diferente de sua futura ex-esposa que está em ascensão em grande parte por influência do marido. É arrogante e pouco sociável, prefere os filhos e faz o possível para não deixar que se tornem filisteus. É daí que Walt adquire sua farsa. Em diálogos leves o filme vai construindo os personagens e faz com que eles enfrentem situações fácies de lidar e outras nem tanto. Cada um escolhe como encará-las.

Utilizando poucas artimanhas do cinema cult (e esse é o tipo de filme que possui um roteiro feito pra ser filmado com essas artimanhas), o diretor Noah Baumbach mostra que uma coisa tão estranha e comum na sociedade como o divórcio não consegue ser minimamente prejudicial aos envolvidos. Aqueles que conseguem sair ilesos escolheram uma farsa confortável e que na maioria do tempo funciona.

De uma beleza bem escrita e dirigida é o tipo de filme que não aponta soluções, são cenas do meio da história acontecendo, o choque de coisas do passado com o caos do presente e sabe-se lá o que virá. Um retrato belo e ainda pouco desbotado. Uma farsa.

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Semana passada comecei a assitir a primeira temporada de The West Wing, premiada série que deixei passar em branco por pura ignorância, fui perder meu tempo assistindo besteiras como Grey’s Anatomy e perdi The West Wing.

A série já terminou (recentemente) e ainda bem que tenho umas cinco temporadas em dvd pra me entreter nos próximos meses. Uma assistida rápida denuncia os defeitos da produção: trilha sonora ruim, locação pouco inspirada (e nem tem como fazer a Casa Branca ficar atraente) e um ar de americanismo bobo. Tudo isso some quando o roteiro começa a funcionar: personagens perfeitamente estruturados, diálogos extremanete rápidos e corrosivos, crítica sutil (ou não) a tudo, desde o funcionamento do Senado até Redes de Televisão.

Tem momentos que a coisa fica atordoante, é um texto tão bom na mão de atores competentes que cada episódio voa na tela. E se tem uma coisa que nos últimos meses me interessou muito é o roteiro, foi como um estalo na cabeça: comecei a adorar roteiros bem escritos. Talvez na ânsia de escrever um estou prestando mais atenção a isso.

Mas nem tento me enganar, até conseguir escrever com a velocidade de ação e argumentos como em The West Wing terei de passar por muitos níveis. E o nível máximo que encontrei de roteiro empolgante, classudo e quase-perfeito está no criador da série Aaron Sorkin. É engraçado, dramático, bem amarrado, esperto e dificilmente deixa a coisa cair. Mesmo em temas comuns que não redem coisa boa.

Semana que vem devo terminar a primeira temporada (olha que só assisti oito episódios!) e posso dar o parecer com menos entusiasmo, ou quem sabe mais.

Como virei tiete de Sorkin já estou acompanhando a igualmente sensacional Studio 60 On The Sunset Strip que começou há poucas semanas, novo projeto do homem após The West Wing e conta com o texto de Sorkin voltado para o backstage de um programa humorístico numa rede nacional (claramente inspirado em Saturday Night Live). O piloto é daqueles clássicos, promete muito e não faz feio. Locações muito bem construídas e detalhistas, elenco imenso e só de gente boa. E claro, o texto quase cinematográfico de Sorkin.

Alguém tem que passar isso aqui no brasil. É material de primeira que te deixa feito criança esperando o próximo episódio. Corre num p2p e baixa, é uma ordem, gafanhoto.

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Lost S0301

05.10.2006 | Séries

Nas últimas semanas os fóruns nerds discutiam em polvorosa a estréia da terceira temporada da série que carrege o maior hype dos últimos anos. Diabos, desde Arquivo X não tem esse tipo de coisa. Se a internet fosse assim na época de ouro de Mulder e Scully a coisa seria mais ou menos do jeito que acontece com Lost.

E então começou a tal temporada. O episódio incial é tenso, cheio de coisas novas e pega a linha de mistério perdida no começo da segunda temporada e dá uma aditivada no maior estilo J.J Abrams. A coisa agora é mainstream e cada novo mistério é tão empolgnate quanto confuso. A diversão na série é essa: quanto menos sabemos, melhor fica.

Quem tinha dúvidas sobre o papel de Rodrigo Santoro na trama ficará mais calmo ao ver o nome do rapaz aparecer nos créditos, mostrando que dessa vez ele fará um papel importante. Talvez até fale umas frases.

Para os entusiastas foi um episódio chave para as especulações mais complexas, para quem assim como eu tinha perdido um pouco o interesse durante a segunda temporada fraca é um novo começo com gosto de temporada empolgante.

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Gaiteiro Todo

04.10.2006 | Música

Tarde inteira escutando Muddy Waters (comecei minha jornada de verdade dentro do blues, e cada músico está sendo revisitado com gosto, usando como guia apenas a intuição, como nos velhos tempos. Aqueles de ignorância musical)

Se tem uma coisa que deixa um programa insuportável como o Pagemaker mais gostoso de usar é escutar blues. Long Distance Call é daqueles blues quietos, gaiteros, pra ficar assoviando devagar e enrolar a melodia ao gosto pessoal.

Muddy Waters - Long Distance Call

You say you love me darlin’,
please, call me on the phone sometime
You say you love me darlin’,
please, call me on the phone sometime
When I hear your voice,
ease my worried mind

One of these days,
I’m gonna show you how nice a man can be
One of these days,
I’m gonna show you just how nice a man can be
I’m gonna buy you a brand, new Cadillac,
if you only speak some good words about me

Hear my phone ringin’,
sound like a long distance call
Hear my phone keep ringin’,
sound like a long distance call
When I picked up my receiver,
the party said another mule kickin’ in your stall

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Terminei de assistir a primeira temporada de House MD, espetacular série médica protagonizada com maestria por Hugh Laurie. Sei que as palavras série médica costumam assustar grande parte das pessoas, incluindo eu, e desde os primeiros dez minutos do piloto de de House o estereótipo desaparece, acredite. Tudo culpa de Laurie. O piloto é excepcional: o ator parece estar encontrando o equilíbrio entre sarcasmo, cinismo, seriedade e arrogância (que podem parecer semelhantes porém nas mãos certas tornam-se distintos) e por isso diverte mais do que o esperado do texto.

Saber aproveitar o texto é uma das coisas mais legais da série. Além do protagonista irretocável, que só encontra um paralelo relativamente próximo em Tony Soprano (sem exagerar, Soprano é o melhor personagem de série televisiva já criado) o time central da série possui destaque e desenvolvimento tão bom quanto o própio House. Dificilmente os personagens secundários convencem sozinhos e isso faz as cenas de diálogos tornarem-se memoráveis em vários momentos.

Em alguns episódios (como os dois últimos da temporada) temos depositado em House todas as soluções da temporada e Laurie encontra o tom perfeito para o texto comum de final de série.

E o roteiro é excelente, original nos diálogos e no sarcamo corrosivo e inconsequente de House. Possui algumas falhas na metade da temporada mas não prejudica o rendimento em nada, pois erros ou coisas que não funcionaram saem rapidamente, ao contrário de outras séries que insistem no erro (coisa comum). Como sou viciado em roteiros assistir House é uma experiência de entrenimento de alto nível e também de certa forma uma aula de como contornar dificuldades dos personagens em poucas cenas sem apelar para lugares-comum. E isso também é um dos pontos fortes do seriado, saber contornar as suas próprias deficiências com rapidez. Mesmo sendo limitada, não aparenta ser inesgotável.

Em dez possíveis dedões levantados garanto oito. Depois de Sopranos, foi a segunda série que plantou na minha cabeça a vontade de comprar imediatamente os DVDs. A terceira temporada começou recentemente na Gringolândia. Em breve termino de assistir a segunda, é o tipo de série que você fica com necessidade de assitir.

Notinha Nerd: Na abertura da série (que é excelente graficamente, lembrando as excepcionais aberturas da HBO) toca o início instrumental de Teardrop, do Massive Attack presente no disco Mezzanine de 1998. A canção foi utilizada também numa montagem de um episódio da primeira temporada de Prison Break.

Notinha Técnica: A versão nacional do box da primeira temporada além de possuir apenas som estéreo (algumas distribuidoras ignoram o 5.1 sem dó) e fullscreen as legendas em português são deficientes além da média. Pouquissímas expressões idiomáticas são traduzidas com sentido, o resto ganha uma versão de dicionário online. E o comum erro de “arredondar” as frases de efeito para ter menos texto na tela acontece de forma obscena. Se você depende das legendas é uma pena esta caixa ser tão ruim, muita coisa se perde.

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- Ao desligar o telefone dizer “tá ok” como frase de confirmação.

- Escrever dezenas de linhas em html sem checar se fechei todas. No final tá um cagada.

- Usar demais “mas”, “porém” e “no entanto”.

- Começar frases com “Na Verdade…”

- Misturar frases em inglês e português ao contar uma novidade. Síndrome da tradução constante, disse um amigo.

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Resenha do disco que mais me emocionou da quase perfeita discografia da primeira banda de post-rock que dominou meus falantes. Corre lá.

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