bunker

Terminei os dois jogos da bem-sucedida série Max Payne, da Rockstar. Alguns anos atrás o primeiro jogo, intitulado apenas Max Payne, fez grande sucesso com sua trama construída como se fosse uma mistura de filme noir com graphic novel. Trama essa bem arquitetada e empolgante, começando com o assassinato da esposa e filha do então Detetive Payne, fazendo com que o detetive virasse um justiceiro por NY justamente durante assoladora nevasca na cidade, todos esses elementos combinados fizeram a jogabilidade alcançar excelentes níveis.

Ainda tinha o famigerado efeito Bullet Time, aqui empregado de forma engenhosa, se combinado com pulos e diferentes posições, pode-se “limpar” uma sala em poucos segundos. O final é perfeito e ambíguo, preparando terreno para uma continuação.

O segundo jogo é uma evolução natural dos gráficos, jogabilidade e efeitos. Apenas a história que fica um pouco fraca ao englobar uma coadjuvante e parceira de Payne, Mona Sax e os demais elementos que confundem o jogador ainda mais. Se no primeiro jogo existia a evolução do personagem, tanto em armas quanto em complexidade de fases, no segundo já começamos um Payne experiente, longe do policial normal que um dia foi. A história engloba conspirações e trama de romance hollywoodiano. Um dos melhores personagens aqui é o russo Vladmir Lem, que repete aparição do primeiro jogo com bastante estilo.

Apesar das evoluções técnicas, o segundo ainda fica um degrau a menos se comparado ao primeiro jogo, que é perfeitamente construído e não deixa a poeira baixar por um segundo. Neste temos tiros demais e envolvimento de menos.

Dois jogos excelentes para quem gosta de uma trama bem feita, jogabilidade em terceira pessoa e a constante sensação de que ao abrir uma porta qualquer a coisa pode ficar feia. Espero a terceira parte da série, que já é um clássico dos games.

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Black Sabbath

19.03.2006 | Música

Uma das maravilhas de baixar via torrent são as mega-coletâneas que são disponibilizadas. Discografias completas tem aos montes, e desde ano passado baixo algumas para escutar com cuidado bandas antigas que são difícies de achar cds por aqui. Já foram: Led, Rolling Stones e Genesis. Vou começar essa série com a caixa Black Box do saudoso Black Sabbath. Composta de oito discos, a caixa é prato cheio pra quem ainda não havia escutado titio Ozzy ainda novinho, novinho e amparado pela guitarra de Iommi e o baixo de Geezer. O primeiro disco, “Black Sabbath” marca o debute lendário da banda, incia-se com o hino da banda até os dias de hoje: Black Sabbath. Carregado com uma atmosfera densa, as músicas continuam atemporais, cada uma melhor que a outra e tão pesadas quanto. A melhor parte são as letras, bem construídas e cheias de referências dark. Minha preferida é a de The Wizard.Reza a lenda que Tommy Iommi não sabia na época a razão de sua guitarra soar tão pesada. A afinação baixa mesclada com os riffs de blues rápidos forjaram o Heavy Metal quase sem querer. Some a bateria densa e compassada, longe dos exageros de bpm. É uma âncora para a voz de Ozzy que ao longo do álbum demonstra uma segurança e potência de certa forma impressionante para um vocalista novato.

Solos pesados de baixo e guitarra marcam as faixas, deixando a atmosfera sempre pesada e com um frescor intocado. Se você não aguenta o metal moderno ou está cansado das choradeiras indies, pode pegar este disco e sair sorrindo por aí. É rock clássico five stars, daquele jeitão blues que o povo gosta.

Depois comento o álbum seguinte na caixa: Paranoid.

Baixe a caixa via mininova: Aqui.

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Chill

06.03.2006 | 42, Música

Nada como chegar em casa tarde da noite, ligar o winamp e botar pra tocar uma cançoneta como “(Do You Wanna) Come Walk With Me?” , cantada com contenção maravilhosa por Mark e doçura por Isobel. O cansaço vai sumindo, o corpo relaxa, a mente esfria você está pronto pra ir dormir. Just like an angel. Tem coisas que não se explica.

Do you Wanna Come Walk With Me? If you Do Baby, Say It Now
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Danko Jones é o cara. Sempre foi, e sempre será. Assim como Ramones, AC/DC, ele é o que é, e só. Fazendo apenas uma coisa, porém melhor do que qualquer um: um barulhento e rápido como um raio riff punk-garageiro, tocado contra um vocal poderoso e rasgado, mas com pegada soul, cantando para nós como ele está buscando sexo. Neste disco tem de tudo: melodias pop em “Don’t Fall In Love”, toques eletrônicos em “Time Heals Nothing,” o ex-vocalista do Kyuss John Garcia em “Invisible” e até um pianinho distante na introdução e refrão de “She’s Drugs”. Talvez Danko Jones saia de moda, mas assim como Ramones, AC/DC e Popeye, sempre poderemos contar com ele pra detonar.

Traduzi este texto livremente daqui, sem permissão.

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Mark Lenagan (ex-Screamming Trees e atualmente no combo Queens Of The Stone Age) e Isobel Campbell (Belle e Sebastian) num mesmo disco; Esse inusitado encontro teria indícios de desastre e passa longe de tal coisa. A dupla faz bonito e belas canções folk, indie e rock são entoadas num dueto da voz apocaliptica de Lenagan e a doce hipnotizante de Isobel. Algo mais ou menos como um encontro entre Mary Poppins e o próprio Demônio.

A música inicial de Lullabies To Paralyze, o último disco do QOTSA, mostrava Lenagan entoando uma balada de ninar num tom from hell, quem gostou vai com certeza se identificar com a voz ainda possante e grave do rapaz nas canções desse Ballad Of The Broken Seas. Com uma carga sexual às vezes palpável, o disco vai te levando a apreciar as letras e arranjos delicados sem esquecer que são duas pessoas de tons diferentes fazendo músicas juntos. Bem diferentes.

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Então de volta ao meu humilde e hi-tec lar, após quase cair de um avião mono-motor em plena amazônia (isso é outra história) começo a ler devagar os feeds, enfileirar as tarefas no bitcomet e a vasculhar os fóruns da vida para ver o que se passou na internet.

Oscar domingo, assisti a maioria dos indicados nas categorias principais e arrisco palpites:

Melhor Filme: Good Night And Good Luck. Deixando todo o estrelismo besta de lado, Clooney resolveu usar sua carga de filho de jornalista e conhecimento de amigo de cineasta para realizar uma pequena peça sobre um momento na história. Claro que é difícil sair dos coment?rios de “o filme é bem moldado para os tempos atuais” e blábláblá, mas isso é intriga da oposição. Legal mesmo é ver na tela um roteiro bem construído, diálogos e discursos compostos de forma excitante.

O elenco é de qualidade, porém as atuações baseadas em fumar e sotaques forçados não garantem briga boa nas categorias de ator. O mel do filme está no roteiro e na direção segura de Clooney. De lamber os beiços.

Melhor diretor, Brokeback Mountain de Ang Lee. Quem assistiu Tempestade de Gelo sabe como ele consegue atingir um ponto tão leve entre os tabus da sociedade e as emoções dos personagens. É indigesto para o público em geral e modernetes acostumadas com Larry Clark.

Atenção ainda para Capote. Apesar de não ter gostado da atuação de Hoffman, o filme tem um roteiro primoroso e cheio de frases perfeitas e uma direção equilibrada entre o técnico e o sensível. Baseado na época em que Truman escrevia A Sangue Frio, o longa é excelente. Leia o livro e veja o filme.

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