Como pode?
27.01.2006 | Discos
É sempre complicado dizer a opinião acerca de um álbum atual de uma banda que já lançou 30 antes. Não arrisco nem dar palpite sobre o novo do Rolling Stones, sinto que para dar um parecer decente conhecer a carreira da banda é fundamental. Saber as nuances dos discos anteriores e traçar paralelos que farão a compreensão do disco atual melhor, longe de um prisma acadêmico, vale ressaltar. Claro que pode soar como baboseira, alguém pode dizer “o que importa é a música agora, nesse momento e blábláblá”. Explico:
Eu escuto e estudo rock diariamente, é meu pequeno emprego dos sonhos. E sou bastante tradicional no quesito “dinossauros”. Não opino sem antes ter a noção clara do que estou falando, então há bandas como o Pink Floyd que prefiro apenas fazer pequenos comentários, recomendar uma ou outra coisa e não assumir a posição de conhecedor, apenas assumo tal posição se for realmente merecedor.
Por isso ao escutar essa maravilha de disco chamado “Chaos And Creation In The Backyard”, só consigo pensar “como pode, depois de tanto tempo esse cara fazer algo assim?” e fico feliz ao saber que é de um cara que conheço a carreira, sei pelo que passou e ainda consegue fazer algo relevante e bonito a essa altura.
Paul MacCartney é um senhor que carrega o peso de ser um ex-Beatle, por isso fez coisas desastrosas. Este último disco não é assim, foge do padrão estranho que Macca assumiu nos últimos dez anos, caminho esse pontuado por composições acima da média e músicas sem gosto, sem aquele sabor de novo. Não soava como um Beatle, por assim dizer.
O disco tem composições sensacionais, melodias arrebatadoras e canções belas que nada fazem lembrar que o dono delas é um senhor. Tem um frescor de disco hype. Pena que mesmo com as ótimas criticas do ano passado e a figuração em vários melhores do ano não conseguiram fazer com que os indies se voltassem para o disco. Coisa de gente que prefere um Devendra Banhart pois Macca é cafona e mainstream.
Recomendo o disco para quem ainda consegue escutar música sem ficar pensando na próxima oportunidade de dizer para os amigos que achou uma banda nova sensacional desconhecida.
ComenteArctic Monkeys [ou] O Hype Nosso de Cada Dia
24.01.2006 | Discos
Todo ano é a mesma coisa, cinquenta bandinhas irritantes são apontadas pelos vários Lúcio Ribeiro espalhados por todo lugar, tem até lista dos que vão despontar do anonimato para a capa da Nme. A realidade é que poucas bandas sustentam o hype durante o tempo necessário para que o segundo disco comprove ou não o talento do grupo. Nem todo mundo é um Strokes.O ano mal começou e “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not” vazou na net e começou a fase de dominação mundial começada em fóruns e listas de discussão hypadas e que culmina em alguns meses, pode esperar. A melhor parte é que o disquinho tem momentos ótimos. E isso é legal para aquels que terão de enfrentar músicas da banda em todas as festas descoladas por aÃ.
Em termos de comparações, arrisco apenas que o Arctic Monkeys vem para ocupar o lugar do Libertines como banda que faz shows pesados e garante algumas faixas legais pra se escutar em festas e degustar a cerveja. Tem faixas boas mesmo, que te deixam com vontade de dançar e tal. É rock inglês bem tocado e com uma pegada densa, te deixa hipnotizado. E ainda é bem pop.
Então aconselho apenas que faça o trivial: baixe o disco, curta o bastante e depois esqueça. Como deve ser.

Acordando Cedo Com Lightning Bolt
23.01.2006 | Discos
-SANTA MÃE!
A banda é na verdade uma dupla ensandecida que faz barulho de forma anormal, é coisa do demônio, só pode ser uma porra dessas! Citando o texto do gordurama: “imagina aquele cogumelo afu lá da bomba H de Hiroshima fumegando dentro da tua cabeça.” É nada menos que isso. Pense num chute nos dentes, numa motoserra no seus dedos e uma pedrada no sua testa. Heavy Metal de verdade.
Tratei de acordar os vizinhos com som ensandecido da dupla. No site oficial tem umas fotos live, só pra você ter uma idéia do terror que a dupla deve tocar no palco, visite esta galeria.

Rogue Wave
20.01.2006 | Discos
Tem aquele tipo de banda que você baixa o disco, escuta enquanto faz outra coisa no pc e esquece o disquinho lá na lista do winamp durante um bom tempo.Toda vez que liga o pc procura algo novo pra escutar e ali está a o disco, você clica e pensa “vamos ver se melhora com a audição”. Aà chega aquele dia que no msn todo mundo está mudo e os feeds são apenas de posts imensos sobre polÃtica e esportes. O álbum vai fluindo, você escuta uma guitarra que soa maravilhosa, um refrão que promete não sair da sua cabeça nunca mais e aquela virada de bateria que faz seu coração pular.
Acontece com as melhores bandas que tenho aqui no pc. Rogue Wave é uma delas, e faz alguns dias que não tiro as canções de Descended Like Vultures da cabeça e do player. Disco de 2005 lançado pela lendária Subpop (que mais uma vez está com um cast incrÃvel) bem produzido, redondo e belo, belo. Lembra um pouco Death Cab, Ellioth Smith e ainda assim soa diferente, com uma atmosfera bela e densa. Escute Bird On A Wire ou Catform e concorde com este escriba.
Ser amante de música tem dessas coisas, existem bandas que estão faz tempo por aÃ, um dia você escuta aquele single e um sorriso imenso estampa seu rosto. São pequenos detalhes e sensações que todo dia temperam a rotina de quem escuta e gosta de música. Tem coisa que não se explica mesmo.

If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.
