42 13.05.2008

Coisas a fazer antes de resolver fazer outra lista de coisas a fazer

Sem ordem de preferência aparente.

- Assisitir o resto dos episódios de Seinfeld.
- Pilotar um avião.
- Escrever um livro sobre zumbis.
- Trabalhar em um estúdio musical.
- Aprender a fazer café decente.
- Pular de bungee jump na Nova Zelândia.
- Assistir um show do Explosions in the Sky.
- Ir na premiere de um filme que eu fiz.
- Just walk aorund na Suiça.
- Escrever uma carta pro Warren Ellis.
- Ler mais de 60% dos livros que possuo.
- Dar pra Ela e pra mais pessoas o meu amor.
- Conseguir completar as palavras-cruzadas do jornal.
- Completar minha coleção de Vagabond e Sandman.
- And on and on and on. 42.

P.S.: Não, isso não é a porra de um meme. Essa do avião é bem coisa de moleque mesmo, na real qualquer coisa grande e que voe serve. Não se diz livro “sobre” zumbis, né? É livro “de” zumbis. Que seja. Na verdade eu queria um show do Pelican na mesma noite de um do Explosions, acho que nunca mais ia escutar música com vocais na vida. Mentira. A Suiça deve ser um saco, mas eu ia me sentir todo pateta andando por lá, visitando escritórios de design frios e pedindo estágio. Nunca que vou ler todos os livros, mas sessenta porcento é uma estimativa boa. Quarenta e Dois, gafanhoto.

geral 09.05.2008

I Am Iron Man [ou] Nerd em polvorosa

Bad

A possibilidade de um filme do Vingadores utilize como base a HQ conhecida como Ultimates é uma coisa que me deixa deveras alegrinho. Com toda a conotação gay que esse tipo de afirmação possa ter. Vamos encarar, super-heróis reunidos é nada mais do que um carnaval de fantasias e poderes exdrúxulos sem conexão alguma combatendo uma coisa sem nenhum sentido também. Mas aí em Ultimates a coisa tem um quê de badassismo bastante elevado (Nick Fury é o SAMMY) e deixa essa coisa toda de lado. Até o THOR, que carrega aquele porrete de nome impronunciável vira um perosnagem OVERPOWER como deve ser e chega arrepiando geral quando lhe cabe sem não antes cobrar sua parte para participar do circo das mass media dos Vingadores. Hell, até o Capitão América - aquele estrelinha - consegue ser interessante em Ultimates. Tu vais entender quando ler. Ver isso no cinema vai ser ÍMPAR, vai vendo.

Na real eu fiquei excitado pacas com aquela última cena do Homem de Ferro. Desce lenha, Stark.

42 09.05.2008

Slow Numbers

You know, tem uma hora na madrugada que a internet parece parar. Não é bem uma hora, é um momento, não dá pra medir bem esse tipo de coisa. Mas dá pra sentir. É como aquele barulho que algumas pessoas dizem escutar. Tem um momento na madrugada que dá pra escutar o acender das luzes do modem e os sites parecem desabitados, as redes sociais vazias e até o twitter fica deserto.

Dá pra entrar nos perfis alheios em redes sociais e não ser pego no ato. Dá pra vasculhar os arquivos daquele blog e descobrir mais detalhes do autor. Dá pra olhar todos os produtos daquela loja virtual que você nunca compra nada mas sempre recomenda pros conhecidos. Dá pra adicionar novas fotos no seu flickr e tirar dez minutos depois. Dá pra postar naquele fórum gringo as coisas que você odeia. Coisas que você não faria durante o dia ou outros horários são perfeitamente encaixáveis nesse momento de suspensão de bytes. Um bug na matrix.

Dá até pra escutar a parte dois de I Know You do Morphine (que eu pronunciava morfáine e me ensinaram outro dia que é morfíne) no repeat ad infinitum enquanto você termina textos, faz planos que vai esquecer daqui a pouco e balança a cabeça devagarzinho.

Pena que acaba rápido.

filmes 05.05.2008

Não compre o Box de Akira

boom

Semana passada comprei o box de Akira que a Focus Filmes lançou e fiquei todo orgulhoso. Foi um presentinho legal pra mim mesmo que gosto do filme pacas (bons tempos de Locomotion) e o pacote parecia bem feitinho, lembrando as edições gringas remasterizadas e tudo mais com dois discos, cards, camiseta e poster por 59,90.

Eis que nem tudo são flores.

Vamos começar pela camiseta: é um TRANSFER fedido que ainda vem escrito “edição comemorativa de 20 anos” embaixo e tudo mais. Esquema de camiseta do iron de banquinha de rua, tu ficas parecendo atendente de locadora usando o negócio. Seguindo pros discos - que julguei serem o creme da caixa, obviamente.

Ao dar o play no filme original que eu comprei em loja com meu dinheiro suado de dezainer pobre sou submetido a QUATRO SPOTS DE TRINTA SEGUNDOS daquela campanha anti-pirataria da UBV que utiliza argumentos totalmente retardados pra provar que quem compra dvd pirata financia o crime. E o pior: não dá pra dar SKIP ou FF. Sério. Isso quer dizer que toda vez que for assistir o meu DVD EDIÇÃO COMEMORATIVA e ORIGINAL vou ter dois minutos de merda antes do filme começar.

E isso emputece qualquer um. Dá pra supor que quem compra uma edição dessas é porque gosta do filme e pretende assistir algumas vezes e tal. Veja bem, não é um cara que vai na locadora e pega um punhado de dvds recheados de propaganda “OLHA O QUE O ESPERTO DO SEU PAI COMPROU” e mal assiste-os. É um cara que aprecia o filme em questão e quis comprar uma edição mais caprichada pra ter na estante e à disposição pra assistir quando der na cabeça. Mas é tratado como um retardado pela Focus Filmes e toda vez que for assistir o seu dvd original terá dois minutos não-ffáveis de MERDA despejado na sua cabeça.

Quem tá afim de comprar, teje avisado. A caixinha em si é legal, fica bonitinha ali na estante e tudo mais. Eu queria ter percebido isso antes pra avisar. Não comprem essa caixa esperando grandes coisas diferentes daquela que você baixou há um tempo atrás. Aliás, recomendo você autorar o próprio dvdzinho baixado pra guardar e emprestar pros amigos e deixar essa caixa de lado. É o que eu vou fazer. Pega aqui, Focus Filmes.

Pior que cortou todo o tesão que eu tava de falar sobre o filme.

séries 28.04.2008

Prevendo

Vou fazer que nem aquela vez de The Wire. Acabei de assistir o piloto de In Treatment, já que hoje foi daquelas manhãs que a gente acorda cedo demais sem querer e fiquei bastante curioso e empolgado. Deixei passar em branco essa série que foi uma espécie de experimento da HBO entre janeiro e março deste ano com 43 episódios, cinco por semana - cada um com um paciente do terapeuta interpretado por Gabriel Byrne. Grande erro. Episódio piloto muito bom.

Pode contar com mais posts sobre a série.

nerdices 26.04.2008

O Dia que Achei Aquela história em Quadrinhos

Anos e anos de consumo voraz de livros, quadrinhos, discos e toda a parafernália que a cultura pop oferece tendem a confundir a cebeça do nerd, embaralhar as referências e confundir as profundas análises de obras. De repente lembrar o nome do character designer daqele jogo sensacional não é mais tão fácil. Alguns filmes são completamente esquecidos e só quando re-assistindo por descuido que você lembra já ter assistido aquilo. Livros são piores.

Eu fui um cara que começou cedo a consumir tudo o que minhas limitadas verbas ofereciam e naqueles primeiros anos de leituras acompanhadas de dicionários (para não perder nada) e total falta de preocupação em saber quem fez aquilo ou de que ano era coleciono fragmentos de cultura pop não identificados em minha mente. Um fragmento em especial consegui identificar hoje.

Trata-se de uma história em quadrinhos de duas páginas, publicada em alguma Metal Pesado há muitos anos que havia comprado num daqueles encardenados de edições anteriores por um preço modesto. Era a narrativa de um viajante pelas estradas desérticas e empoeiradas dos Estados Unidos. Morando num cidade do interior e louco para me ver livre daquela pequenez, comtemplei a pequena história como uma premonição do que um dia eu iria fazer. Na época gostei tanto que destaquei cuidadosamente as duas páginas e carregava no caderno.

Nas indas e vindas do colégio e caminhos cortados pela cidade, perdi o caderno.

Não lembrava o nome do autor nem da história, não havia mais edições a venda na banca e vi que a minha havia sido perdido em algum escambo com amigos. Como havia tanta coisa pra se conhecer naqueles tempos dexei de lado a pequena história e parti para a minha próxima exploração cultural. Com o tempo fui saber que a Metal Pesado era a versão nacional da Heavy Metal, revista ímpar de quadrinhos e que as edições nacionais (assim como tudo de quadrinhos publicados na década de 90) tiveram publicações confusas e escassas. Toda vez que batia os olhos numa Heavy Metal procurava por aquelas duas páginas.

Até que hoje observando os novos torrents no KG vi um de nada menos que 13gb com todas as edições da revista. Meu primeiro pensamento foi de baixar a coisa toda e ir lendo cronologicamente a revista, um dia chegaria na historieta. No descritivo do torrent havia o link para a Heavy Metal Magazine Fan Page e não custava nada dar uma olhada lá, quem sabe um pedaço da minha história apareceria em algum artigo ou coisa assim. Lendo a lista de publicações resolvi passar os olhos no nome das histórias publicadas em cada revista pra ver se algum despertava alguma reação. Foi ali no ano de 97, na edição 5 de novembro, que reconheci Ranx na capa e lendo a lista das história encontrei No Man’s Land, de Jacques De Loustal.

Ranx me lembrava algo e o nome da história poderia muito bem ser aquilo que procurava. O ano estava teoricamente certo. Mandei ver no Google. Encontrei esta página sobre o autor, em especial este artigo que fala sobre as referências da obra de Loustal que Win Wenders usou em Paris, Texas e ali havia um link escrito No Man’s Land. Cliquei e apareceram as duas páginas tão procuradas em baixa resolução e impossíveis de ler, mas eram elas. Achei, enfim.

Achei a história, o autor e a edição em que foi publicada. A revista não foi escaneada (só há até a edição de julho de 97) e não encontrei em nenhum lugar, e olha que procurei. Mas já é um grande alívio identificar a história e conhecer o autor. As duas páginas que encontrei estão com baixa resolução e em francês, minha senhora tentou ler e traduzir mas ficou difícil demais, quiçá impossível. Postei-as no FRAG! para quem quiser olhar melhor a famosa história.

You can’t always get what you want, já dizia a música. Vai que num sebo encontro a revista ou vai que alguém que me lê tem a por aí sobrando a edição 5 de novembro de 2007 da Heavy Metal com o Ranx na capa e me empresta pra uma leitura.

filmes 19.04.2008

Inside [ou] GORE

Dalle

A melhor forma de assistir esse Inside (À l’intérieur) é sabendo o mínimo sobre o filme do jeito que eu fiz. Apenas vi que tinha a Beatrice Dalle, possível trama de horror e diretores franceses estreantes. Não sabia nada mais sobre o plot, não vi ver trailer ou screenshots. Dalle e horror já foi mais do que o suficiente pra despertar o interesse. Se for o suficiente pra você também, vá assistir o filme e volte pra ler o resto depois. Se não, espero não estragar tanto a coisa.

O complicado vai ser dizer pra vocês que Inside é o mais incrível gore movie deste século sem entrar em mais detalhes. Tente lembrar daqueles filmes que iniciaram a mania slasher há mais de vinte anos, lembre as sensações que eles causaram na sua mente ainda nova no mundo mundo cinema de horror, como foi assustador ver Michael Myers caminhando imponentemente atrás de sua irmã desesperada. Quero que você tenha em mente essas sensações, seja com Halloween ou com qualquer outro filme que tenha feito as honras de abrir as portas do horror pra você porque é DESSE tipo de coisa que Inside é feito. Não é só um filme de horror para fãs ou aqueles calejados no gênero, é uma obra de arte cinematográfica que utiliza do horror para atingir a perfeição.

Tentando ainda deixar de lado mais detalhes - mesmo com a injeção absurda de hype que injetei no parágrafo acima - a grande qualidade de Inside é manter a trama plana, minimalista e focada em personagens que não necessitam de diálogos de duas páginas para se deifinirem na tela. No começo ainda há alguns cocoetes dos filmes de horror modernos e eu já estava me preparando para um uma velha trama requentada com twist esperto no final quando a coisa descarrilhou de vez e me deixou quieto.

Utilizando de poucos cenários e personagens os diretores Julien Maury e Alexandre Bustillo pulam do simples drama numa cena para um suspense sangrento na outra. E logo depois abrem a torneira de sangue de vez. Chega a ficar tão assustador que, sério, você vai tomar um susto ou virar a cabeça pro lado em algum momento do filme. E tudo isso sem precisar de artifícios bestas no estilo Hostel para “chocar” ou “impressionar” o telespectador. Apenas uma história terrível sendo contada, sem aquela macacada de Funny Games de tentar teorizar sobre a violência no cinema. E cacete, é desse jeito que um filme de horror deveria ser, rápido, denso e não se preocupando em chocar ninguém enquanto conta sua história. Polêmica e discussões rasas é pra quem quer ganhar prêmios ou um remake.

O saldo final é uma experiência emocional de tirar o fôlego. Eu não sabia o que esperar e fui me surpreendendo a rodo durante o desenrolar da trama. É digno de todos os clichês que um resenhista pode utilizar, até daquele que você vai querer dormir de luz acesa.

nerdices 18.04.2008

Decidi

Toda vez que me der vontade de assistir Cowboy Bebop eu vou fazê-lo.  Assim sem mais nem menos. Porque eu já tentei escrever sobre essa série várias vezes e tudo que ganhei foi mais um episódios pra reassistir e ficar BESTA de tão legal e genial que o negócio é.

Você devia fazer o mesmo.

nerdices 18.04.2008

Um pouco sobre vilões [e] Wanted

Foi assim, eu vi o trailer e gostei do negócio, vi que foi adaptado de uma HQ e resolvi ler. Aí Wanted, de Mark Millar  e JG Jones acabou se tornando a mais divertida leitura de quadrinhos que tive nos últimos meses. Não foi por falta de aviso de amigos e resenhas internets afora que deixei de ler antes, foi por não saber que era tão legal.

Wanted é sobre vilões, ou super vilões. E a coisa mais interessante de muitas histórias em quadrinhos são os vilões, afinal eles sempre mudam, encontram novas formas de atingir o super-herói e traçam planos dia a dia para conquistar o que desejam. Vilões são disciplinados, possuem motivações impetuosas e sacanas para o que querem atingir. Apesar de geralmente serem um mero adereço cômico numa história sobre a jornada em busca da paz e igualdade mundial daquele super-herói marrudo eles não raro são a coisa mais interessante da trama.

Wanted 01

Pega o Coringa, o joker, o palhaço. Em séries como The Killing Joke ele consegue ser mais divertido, profundo e complexo do que dez Batmans jamais seriam. Tem Arkham Asylum também, onde o festival de freaks aprisionados pelo morcego levam a uma viagem conturbada pelo imaginário do Cavaleiro de Gotham e mostram que sem eles o morcego não é nada. É apenas um cara com a cueca por cima da calça pulando de prédio em prédio e dando socos em ladrões de bolsas.

Por serem a parcela má da história os vilões tendem a perder no final. Na era de ouro, prata, etc dos quadrinhos isso era regra. Não importa o quanto eles conseguissem chegar perto de dominar o mundo no último momento seu plano mirabolante e minuciosamente executado iria falhar. E se não falhasse? E aí que começa Wanted, num mundo onde os vilões acabaram com os amigos da vizinhança e os vigilantes de nomes duvidosos e poderes idem. Um mundo onde os vilões sádicos se juntaram numa única organização e dominam secretamente o mundo varrido de super-heróis.

E porra, isso é legal pacas. Vê só, é o começo perfeito pra uma história que claramente não está nem aí para caras bons e maus e quer apenas divertir o leitor com ação, piadas e humor negro. Mark Millar resolveu pegar apenas as partes legais de uma saga de colant de quadrinhos: as cenas de ação, diálogos mirabolantes e engraçados e as mulheres fatais. Não precisa explicar de onde vieram os poderes daquele cara, é apenas um tiroteio descerebrado em quadrinhos em cima de uma típica história de um cara que descobre ser o filho do maior assassino do mundo (que foi morto) e é chamado pelos vilões para receber a herança do velho, não sem antes cumprir algumas clásulas contratuais. Normal e divertido.

O suficiente pra ser lido escutando um bom disco do Monster Magnet. No filme os super-vilões vão dar lugar a uma “fraternidade de assassinos blábláblá”. Vai cortar grande parte da diversão logo de cara. Mas you know, é hollywood.

filmes 17.04.2008

Network [ou] This story of Howard Beale

Howard Beale

He’s saying that life is bullshit. It is. What are you screaming about?

Algumas semanas atrás o Nemo falou sobre esse Network, do Siney Lumet com roteiro de Paddy Chayefsky. Não conhecia muita coisa tanto o diretor quanto o roteirista e pareceu-me uma boa oportunidade para sanar a curiosidade sobre ambos. O filme é uma sátira ao corporativismo bilionários das redes de televisão e da total venda de valores morais a favor de alguns pontos de audiência. Tudo bem que não soa tão inovador hoje em dia, porém é empolgante ver que ainda é um ótimo filme e me fez tanto gargalhar quanto deixar de lado quaisquer aspirações a roteirista que eu possua. Escrever algo assim é coisa de gente grande.

Basta pegar os diálogos, que mesmo depois de mais de trinta anos e tratanto de um assunto que evoluiu tanto continuam rápidos, afiados e excelentes. Os personagens conseguem realmente discutir a própria trama em que se encontram sem apelar para truques ou cacoetes narrativos tão comuns ao cinema dessa época. Diabos, tão comuns ao cinema de hoje em dia. Apesar de alguns momentos fracos no roteiro e certas cenas com notável aspiração artística pedante o saldo final ainda é incrível e mais um achado para as minhas listas de citações.

Próxima Página »